AVISO

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05/01/2010

Músicos e críticos sugerem o Ritz Club para acolher o clube de jazz

In Público (5/1/2009)
Por Ana Rita Faria


«Junta de Freguesia de São José vai propor esta solução à vereadora da Cultura, embora desconheça a situação do espaço, fechado há anos

Câmara e Hot Clube discutem alternativas ao número 39


Separados por escassos metros, o Hot Clube Portugal e o espaço do Ritz Clube podem vir a ter mais em comum do que a sua localização na zona da Praça da Alegria, em Lisboa. Depois do incêndio que inviabilizou o edifício da sede do Hot Clube, músicos e críticos apontam o antigo espaço de espectáculos como um possível local para albergar provisoriamente o mais antigo clube de jazz português.

A própria junta de freguesia vai propor hoje à Câmara de Lisboa essa solução, antes da reunião entre a direcção do clube e a autarquia (ver texto ao lado). "O Ritz Club é uma das opções para receber provisoriamente o Hot Clube, mas é preciso verificar o seu estado físico, pois está fechado há cinco ou seis anos", afirma Vasco Morgado, presidente da Junta de Freguesia de S. José. Esta é uma das soluções que o responsável vai propor hoje à vereadora da Cultura, Catarina Vaz Pinto, aproveitando uma reunião que já estava marcada antes do incêndio.

"O Ritz Club precisaria de obras, mas estas seriam mais rápidas do que as do Hot Clube e, além disso, há condições para albergá-lo, pois tem restaurante, uma sala de espectáculos com 180 lugares sentados e um palco", sublinha Vasco Morgado.

Vantagens e riscos

Para o músico e crítico de jazz Rodrigo Amado, esta hipótese seria boa, embora salvaguarde: "Não faço a mínima ideia do estado do edifício." O artista diz que o Ritz Club "tem um ambiente muito forte e até parecido com o que se vivia no Hot Clube e, como casa de jazz, até teria mais condições" do que o clube que ardeu. José Duarte, divulgador de jazz, admite que fazer renascer o Hot no Ritz seria mudar para melhor. "Ficava um espaço monumental, que levaria muito mais gente", destaca. Também João Moreira Santos, historiador de jazz, gosta da antiga sala: "Antes de ser o Ritz, funcionou entre os anos 20 e 40 como um embrião de clube de jazz." Contudo, adverte, "qualquer alternativa provisória tem um perigo muito grande, que é o de a câmara dar o assunto como terminado e não reabilitar o edifício, e isso é a pior coisa que pode acontecer ao Hot Clube".

Para o compositor Mário Laginha, o ideal seria também arranjar um "espaço provisório digno" e reconstruir o outro. Ou, "indo ainda mais longe, avançar de vez com o projecto do Parque Mayer e dar vida a uma zona tão apetecível no centro da cidade". Na Internet, a causa "Devolvam o Hot Clube à Praça da Alegria", criada há duas semanas no Facebook, ultrapassa já os 4600 fãs.»

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Excelente ideia, só que tem um problema: o Ritz é privado e está à venda. Mas é a solução ideal.

3 comentários:

Filipe Melo Sousa disse...

Os críticos e músicos estão dispostos a pagar eles mesmos a renda, ou é só mais uma daquelas propostas "os outros que paguem por mim"?

Vai parar à conta da CML e o contribuinte que pague?

Luís Alexandre disse...

O prédio do ex-Ritz Club não está classificado? Está à venda para ser transformado em quê?
Era um bom sítio sim senhor, mas há esta questão de ser privado, logo custará dinheiro.
Onde é que se ia buscar o dinheiro, sem ser sempre ao mesmo? Neste ponto sou forçado a concordar com o Filipe Melo Sousa. Não conseguirá o Hot Club e os seus simpatizantes arranjarem uma engenharia financeira para adquirir o prédio?

Luís Alexandre disse...
Este comentário foi removido pelo autor.